Terra Mundi

O ato de pintar um quadro
É muito fácil.
Começa-se abrindo o tubo de tinta, terminando em lavar
O pincel.
Sobre a tela o artista coloca apenas a sua alma.
Patricia secco faz isto de
Uma forma ainda mais simples, mistura nas mil tintas
Sua beleza, classe, cultura e um enorme talento.
Modesta, diz que se
Inspira na terra
(planeta?)  Digo eu: - na terra , agua, ar e fogo.
Minha cara amiga patricia
É tal qual uma caixa de lápis de 48 cores, bonita de
Se olhar e com a possibilidade mágica de redesenhar a
Criação do universo.
Transformando todo este ocidente / oriente em um mundo
''Latino".
Sua arte, como se fossem
Tecidos bordados, pintados e tramados.  Com referencias
Dos sólidos que passam a ser imaginários, lembranças
E memórias.
Por ser ela uma artista ampla, sua pintura não só
De um brasil e sim de todo continente
Latino-americano.
Discreta, me confessou
Que na adolescencia
Montava um cavalo chamado ''petiço'' ,  na
Verdade era
Um unicórnio branco e alado...penso que isto explica
Tudo.

Juarez Machado
Paris, 2006
(Pintor brasileiro que faz tambem incursões nas áreas de ilustração, cenografia, escultura, desenho e gravura com grande número de prêmios internacionais. Machado mora em Paris e frequentemente exhibe seu trabalho na Europa e nos USA.)

As belas superfícies de Patricia Secco me lembram tecidos sedosos e macios, nos quais a cor nunca é o que pensamos, e seus valores dependem da direção e da qualidade da luz que os atingem. As texturas de fundo capturam o olhar pela facilidade natural como estão organizadas. Contra estes jogos de cor ela as vezes justapõe símbolos abstratos que à primeira vista nos dão a impressão de que a pincelada termina ali. Mas mesmo nestas pinturas que parecem abstratas, que entendo ela constrói como paisagens, e que dentre os seus trabalhos são os meus favoritos, a cor não é a única presença habitando a tela. Pinceladas coloridas, como assinaturas imprecisas, como palavras que sussurram, jazem por detrás das camadas de tinta. Os olhos do espectador vagueiam por elas tentando decifrar sua falta de familiaridade, como se perdido sem referência em uma floresta.


Felix Angel,
Whashington DC, 2005

(Curador e coordenador geral do Centro Cultural BID em Washington e editor da sessão de artes latino-americana da Biblioteca do Congresso dos USA.)